quinta-feira, 15 de março de 2012

Les hommes invisibles

Todos mundo esta falando da campanha Kony 2012.

Para alguns é simplesmente parte da moda, onda do momento. daqui alguns meses nem se lembrarão direito do Kony.

Para outros é pura perda de tempo. "pq se mobilizar em prol de uma causa em um pais distante se aqui do ladinho tem gente sofrendo tb?", "Essa campanha tem fins escondidos, os USA querem algo do Uganda", "Se o Kony fosse tao ruim assim, já o teriam prendido", "O próprio Uganda esta envolvido e não fez nada para parar o Kony", "a ONG Invisible Children é uma farsa e desviou dinheiro doado" e assim vai.

Outros, como eu, aderiram a campanha e querem realmente ver o Kony preso.

Nao me importo em saber de que lado vc esta. não quero discutir politica. só quero compartilhar com vcs algumas informações que recolhi no site da Corte Criminal Internacional (http://www.icc-cpi.int).

Andei pesquisando o site, e descobri que, como o Kony, existem muitos outros criminosos totalmente desconhecidos para a maioria dentre nos. quem já ouviu falar de Mathieu Ngudjolo Chui,  Thomas Lubanga Dyilo ou Uhuru Muigai Kenyatta?

vejam um pouco essa planilha:



11 desses caras estão correndo por ai. 11 homens cometeram atrocidades e não foram julgados pois ngm conseguiu por a mão neles ainda!
A ideia principal da campanha do Kony é torná-lo conhecido de todos, não é? Minha esperança é que não fique só nisso, e que esses outros 10 criminosos que estão vivendo de boa por ai também sejam conhecidos de todos. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Un changement durable

Pensa comigo: digamos que num certo vilarejo africano, 40% da população sofre frequentemente de diarreia e de doenças como febre tifoide, meningite, gonorreia, erisipela, tuberculose e cólera. desses 40%,  mais da metade é composta de crianças. quando doentes, elas faltam a escola, e isso faz com que tenham um baixo desempenho escolar e acabam repetindo de ano. essa população vive de agricultura, que ela faz localmente. dois riachos correm em volta do vilarejo. não ha nenhuma instalação básica de pontos de água ou latrinas, ou seja, eles defecam ao ar livre, em lugares definidos, e a água usada tanto para beber, cozinhar como para limpar e regar a plantação vem diretamente do riacho, sem tratamento nenhum. como melhorar a qualidade de vida dos habitantes desse vilarejo?

Os mais apressados diriam: vamos até o vilarejo construir latrinas!! vamos trazer água encanada! vamos criar um posto de saúde e tratar todo mundo de graça!

FAUX! (errado!)

Semana passada participei de uma sensibilização organizada por nossa equipe da ADRA. se vc quiser obter uma mudança verdadeira numa comunidade, essa decisão tem que partir da comunidade. partindo desse principio, fomos até o vilarejo e nos reunimos com todos ali presentes (tínhamos avisado que viríamos).

o primeiro passo é saudar a todos, nos apresentar e lhes explicar o motivo de nossa visita. e qual era o objetivo? ter uma conversa com eles para juntos analisarmos a sua situação sanitária e vermos se existe algum problema. existindo um problema, juntos acharmos uma solução.

em seguida, queremos conhecer a situação, conhecer melhor o vilarejo. então pedimos para que desenhem, no chão, um mapa do vilarejo e que indiquem os pontos mais importantes (casa do chefe, casa do professor, rios, plantações, poços, latrinas - se tiverem - estradas, igreja, escola, etc)
por ultimo pedimos a eles que indiquem onde costumam defecar.

agora a coisa fica mais seria...vimos o mapa do vilarejo, agora queremos ver o vilarejo, principalmente o local onde defecam.
sempre que anunciamos a eles que queremos ver onde defecam, todos ficam espantados e acham que estamos brincando. quando afirmamos que temos que ver o local, começam a ficar preocupados. começa então o que chamamos de "marcha da vergonha".
 todo o vilarejo segue nossa equipe até os lugares onde disseram que defecam.
alguns entram no jogo e apontam com cara de dedo duro para as fezes ali deixadas. outros saem correndo, alguns dão risadas nervosas. sempre perguntamos "que foi que fez esse?" e tiramos fotos.
por fim, apos dar aquela volta, escolhemos uma bela amostra, que vamos levar até o local da reunião.

nesse ponto, o povo do vilarejo acha que somos loucos e sentem muito nojo do que estamos fazendo. coitados, não sabem que a coisa vai piorar!
chegando no local da reunião, colocamos a amostra ao lado de um prato cheio de djékoumé (tipo de polenta) com molho de peixe (geralmente ao ver a cena, as mulheres gritam de nojo). em menos de 30 segundos, atraídas pelo cheiro, moscas veem se pousar nas fezes e em seguida na comida. todos assistam a cena com nojo. para piorar, um membro de nossa equipe mistura, numa garrafa, água mineral e um pouco de fezes e pergunta se alguém quer bebê-la.
já sabem qual a reação do povo, né?
agora vem a parte crucial. temos que analisar, junto com eles a situação. conversamos então sobre o que acontece se defecarem ao ar livre. falamos da contaminação pelas moscas, falamos também das chuvas, que levam o resto de suas fezes para o riacho, cuja água eles usam. perguntamos se alguém já sofreu de febre, diarreia, vômito. se já tiveram que ir ao medico para se tratar. se já houve mortes. eles respondem, eles analisam o assunto. eles então entendem que as fezes estão causando todas essas coisas. eles entendem que precisam fazer algo para mudar a situação. eles sentem vergonha de como estavam vivendo (na ignorância) e querem mudar.
nesse momento perguntamos a eles quais são as soluções que eles poderiam adotar para resolver o problema. ai surgem ideias como não defecar ao ar livre, construir latrinas, cavar poços, cobrir a comida. tudo sugerido pela população.
juntos então, decidimos quais as soluções mais praticas e viáveis para eles, e pedimos para que aqueles que estão prontos a se mobilizar em prol da ideia levantem a mão. vejam o resultado:
todos querem participar!
agora sim, podemos ajudar esse vilarejo a ter latrinas, poços, e muito mais!