quinta-feira, 24 de maio de 2012

Belle au naturel

faz meses que quero falar sobre cabelo. confesso que não sou tão feminina quanto a maioria das minhas amigas, que sempre se preocupam com cabelo, roupas, maquiagem, dicas de boa forma, etc.

eu tenho uma opinião meio drástica quanto ao meu cabelo.

Algum tempo atras consegui assistir a um vídeo que minha querida irmãzinha me enviou. é o testemunho de uma negra gata sobre a transição de seu cabelo alisado ao crespo. veja abaixo:




gostei muito do vídeo pois trata de um assunto que, ha anos, me "perturba".
não lembro quando foi, mas acho que foi em 2006, decidi não mais alisar meus cabelos. desde pequena vivia com cabelo alisado ou trançado. cresci acreditando no mito de que "cabelo duro é cabelo ruim" e de que "da muito trabalho para cuidar".

Eu de cabelo liso em 2004 (eu acho)
sei que minha mãe tomou a decisão de alisar meus cabelos para meu bem, afinal, já sofria suficientemente na escola por ser de cor diferente (além de cristã) e não queria que eu tivesse problemas por causa de "cabelo feio". e também, era "mais fácil" cuidar.

regularmente, que seja em palestras, na sala de aula, ou na terapia, ouvimos que "temos que nos aceitar como somos", que somos "lindas assim como Deus nos criou", que "Jesus ama vc assim mesmo como é". por outro lado, ouvimos a mídia nos dizer, através de suas propagandas e novelas, de que mulher bonita é mulher com cabelo assim assim e assado. que se não usar tal ou tal produto, que se não fizer isso ou aquilo, não é bonito.

gente, que confusão!

bom, sinceramente, eu acredito que fui criada por Deus, e que Ele é dono de toda sabedoria... Se Ele me criou, Ele sabia o que estava fazendo. sabia que ao me dar cabelos crespos eu seria capaz de cuidar deles da melhor forma que existe, e que seria linda do jeito que Ele me fez. sabia tambem que Ele daria sabedoria suficiente a pessoas ao meu redor para criarmos tratamentos naturais para meus cabelos, sem ter que mexer na estrutura ou mudar radicalmente o que Ele tinha feito. por isso, decidi assumir meu cabelo crespo, sem mais usar nenhuma química ou tratamento que tocasse na estrutura do cabelo. gente, foi uma das melhores decisões que tomei. minha prima Cris (minha Personal Hair Stylist) me ajudou no processo todo. fomos por partes primeiro cortando os fios alisados e fazendo tratamentos naturais para que as raízes virgens ficassem fortes. e assim fomos cortando e tratando, cortando e tratando, até que não restou mais nenhum fio alisado. enfim um verdadeiro black hair!



usando black no nosso casamento

antes de vir para a Africa, eu imaginava que aqui acharia muitos produtos para cabelos crespos, e estava muito empolgada. na verdade queria muito fazer dreadlocks (no brasil conhecido como rastafari - gente que nome é esse? nada a ver!) bem fininhas. deixe eu abrir outra parentese aqui: se vc ainda acha que dreadlocks é coisa de maconheiro que não lava o cabelo, amigo, vc precisa se atualizar! dreadlocks podem ser limpinhas, muito bem tratadas e da um look super mega legal. pronto, voltando ao assunto...
meu black precisando de um corte ahah

sim, então, cheguei na africa toda empolgada e descobri que... mulher bonita é mulher que tem cabelo de yovo (branco). aqui as mulheres mudam de cabelo a cada 2 semanas (matéria para mais um post). preferem raspar a cabeça e usar perucas de cabelos lisos como os cabelos das yovos do que usar seu cabelo natural. no começo não foi fácil para mim, mais de uma pessoa me perguntou quando eu iria "pentear o cabelo" (como assim pentear? estão penteados tah pensando o que??). insistiram para que eu fizesse tranças. eu fiz. duas semanas depois já estavam me perguntando quando tiraria as tranças. mas acabei de trançar, pq deveria mudar tão cedo?? parei com as tranças e voltei ao black. enfim, sinceramente, foi uma pequena "guerra", mas acabei vencendo pois os comentários pararam. dai surgiram outras perguntas: "como vc faz para manter um cabelo todo cacheado assim?" "vc faz os cachinhos um a um todos os dias?" "é peruca?" (essa eu confesso me tirou do serio!). "meu cabelo nunca ficaria assim!" (sim meu amor, ficaria se vc cuidasse dele como eu cuido do meu).
o que eu mais acho absurdo é ver mulheres negras, lindas, usando, se segurem... por cima da cabeça raspada... uma peruca... black power! WTF??

bom, eu gostaria muito que toda mulher negra valorizasse seu cabelo, do jeito que ele é ao natural. sem química. sem produtos agressivos. sem escova ou chapinhas. seu cabelo natural amiga é lindo! basta uma boa hidratação, um bom corte e bons hábitos (beber muita água, penteá-los somente depois de umedecê-los, etc.). cabelo crespo é macio quando bem cuidado, e não cheira mal se vc souber como e quando lavá-lo. e te dá um look sem igual ;)

meus cabelos no chão!

é verdade que algumas semanas atrás me deu uma louca e passei a maquininha na cabeça. na verdade Jacques e eu conversamos a respeito e decidimos tentar. era só questão de tentar algo novo, eu amava meu cabelo longo (por incrível que pareça, mediam quase 50cm) amei o resultado. mudou todo meu visual. continuo com o cabelo virgem, mas curtíssimo. e meus amados cachinhos ainda aparecem :D



insisto, amigas negras, Deus sabe o que faz e ele te deu o melhor cabelo que vc poderia ter ;)

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sultan & Pacha

Bom dia galera!

Como vcs o sabem, o Gribouille teve que ir embora. Ele era agressivo, e creio que um dos motivos era o fato de ter sido maltratado quando pequeno (eu o encontrei no mercado de animais em péssimo estado aos 4 meses de vida) e também de morar "preso" num apartamento.
Encontramos para ele um novo lar, com um quintal enorme, plantas, uma família amável, e outros animais com quem ele poderá fazer amizade. Segundo a sua nova humana, ele esta se dando bem na casa. escolheu o muro de divisa como lugar predileto para passar o dia.

Pacha
Quando fomos a Atakpamé, voltamos com dois novos filhotes: Sultan e Pacha. quando soubemos que a gata de um casal de amigos estava prenha, o Jacques pediu a eles para nos reservar dois filhotes. assim teríamos certeza sobre a procedência dos bichinhos. nasceram dia 26 de Janeiro. acompanhamos a gestação bem como os dois primeiros meses de vida deles. quando a gata começou a desmama-los (foi bem cedo né?), fomos busca-los.

Ao chegar em casa, nem estranharam! em menos de uma hora o Sultan ja tinha explorado o ape todinho. o Pacha quanto a ele demorou uns 3 dias para faze-lo. coitadinho, ele é  mais magrinho, e estava cheio de vermes, com o abdomen enorme e patinhas finas. isso o deixava lento, cansado e faminto! demos remedios aos dois, e o efeito foi imediato! O Pacha ja começou a brincar normalmente e a subir em tudo!
Sultan
o efeito do remedio foi tal que eles deixaram "presentinhos" na cama do nosso quarto e na cama dos hospedes, e começaram a urinar por tudo quanto é lado. aff! hoje, ja aprenderam onde fica o seu banheiro, mas acidentes ainda acontecem...

O mais legal é que o Jacques se deu tao bem com eles!!! ele brinca feito criança, lhes da comida (ele cozinha para eles!), e até os deixa dormir no quarto a noite (mas já desistimos disso pq ngm merece ser acordado as 4h00 com alguém mordiscando seu pé e o outro miando no seu ouvido!). o Pacha se apaixonou pelo Jacques e o segue em todo lugar! é muito divertido ve-los juntos. O Sultan gosta mais de mim e é muito, muito, muito agitado e serelepe!

eles AMAM assistir filmes, principalmente Star Wars!!! incrivel! é so colocar pra rodar no computador que eles procuram o melhor lugar para assistir. deitam quietinhos e ficam olhando para a tela... creio que seja por causa dos lightsabres. Sao, definitivamente, os gatos mais Geek da Africa!



quarta-feira, 11 de abril de 2012

Petit projet deviendra grand...

tenho tanta coisa para contar que nem sei por onde começar...
estou preparando dois posts sobre penteados africano / cabelo afro, um post sobre meus gatos, outro sobre o trabalho da ADRA, enfim, tenho muito o que contar. mas acho que o mais "urgente" é lhes falar de um projeto pessoal que eu e o Jacques temos começado.

no fds da pascoa fomos a Atakpame. é uma cidade a exatamente 150,5 km do portão de casa. levamos 2h40 para chegar la pois a estrada não é das melhores. objetivo da viagem era, primeiramente, relaxarmos e aproveitarmos o passeio. em segundo lugar, ir buscar nosso novos gatinhos (dois filhotes lindos). em terceiro lugar "oficializar" nosso projeto.

ele é muito simples. no sábado a tarde, montamos nosso mini consultório móvel e fazemos consultas gratuitas, com distribuição de remédios (se tivermos alguns para doar).

nessa primeira edição, consultamos mais de 20 pessoas, além de fazermos a medição da pressão e glicemia em varias outras. distribuímos antibióticos, analgésicos, tratamentos contra malaria, etc. até uma injeção teve que ser feita ali na hora. para finalizar, distribuímos remédios contra vermes e parasitas.

uma mãe trouxe um bebê de 10 meses com um abcesso de quase 5cm de diâmetro no sovaco. gente, que dó! não sei como essa menininha linda conseguiu dormir com aquilo. explicaram que já faziam duas semanas que estava assim. infelizmente tínhamos esquecido o kit cirúrgico em Lomé, e o Jacques não pode fazer a incisão. demos a eles um xarope para a febre e dor, e mandamos ir ao hospital IMEDIATAMENTE. a mãe agradeceu muito e foi embora.

Infelizmente não temos nenhuma foto do "evento". É impossível ser fotografa, assistente, enfermeira, secretaria e esposa ao mesmo tempo ahahahahah.

no outro dia, o Jacques acordou muito agitado. tinha tido pesadelos com o bebê. conversamos e chegamos a conclusão de que, com 99,9% de certeza, aquela família não tinha ido ao hospital coisa nenhuma, já que tinham recebido um "produto de yovo" (entenda-se um remédio de branco - o xarope). pegamos o carro e saímos a procura da casa deles.

nossa sorte é que encontramos dois moleques que nos reconheceram e que nos ajudaram a encontrar a casa. adivinham só? o bebe estava ali, no colo da mãe, com uma pasta verde em cima do abcesso. o pai da criança explicou, com ar de esperto, que tinham dado o produto yovo e que ir ao hospital não era necessário, pois quando se mexe em abcessos da muita complicação. o Jacques ficou tao indignado! perguntou ao homem "qual é sua profissão?", ele respondeu "motorista", o Jacques então disse "desde quando motorista entende medicina? Eu sou médico, e digo que tem que ir ao hospital senão ela VAI MORRER!"

levou mais 20 minutos para convencê-los de ir ao hospital. tinham desculpas para tudo. mas não teve jeito de escapar, a mãe e o bebê subiram no nosso carro, o pai subiu na moto, e fomos todos para o hospital.

la os enfermeiros e o médico plantonista deram aquela bronca nos pais. a mãe chorava. o bebê chorava. o pai, depois de ter caído na real, pedia desculpas.

2 hora depois já tinham aberto o abcesso, limpado tudo, feito um curativo, receitado um monte de remédios. a menininha chorava como nunca chorou na vida (e a mãe junto), mas o que importa é que ela vai viver!

o que me deixou muito brava nessa historia, era que a família tinha dinheiro! o pai pagou por todos os remédios e consultas, eles moram numa casa boa, tem 4 filhos, o pai tem uma moto novinha. pq então tanta resistência em ir ao hospital? ignorância e crenças populares! não é neglicencia puramente dita, pois eles cuidam bem de seus filhos. mas existe esse sentimento de que "com o tempo passa". hospital? só quando não tem jeito mesmo ou e muitas vezes quando já estiver morto. esse comportamento se repete no pais inteiro, e mesmo fora do pais (até no Brasil!).

no nosso projeto, queremos visitar pelo menos uma vez por mês um vilarejo e fazer consultas como essas, mediante uma participação simbólica da população (falarei mais sobre isso outra vez). com U$150 conseguimos comprar material suficiente para consultar umas 30 pessoas (pressão + glicemia + consultas especificas. remédios são doados somente para casos especiais). com o kit cirúrgico, o Jacques pode fazer pequenas intervenções que não precisam de anestesia.

decidimos que, cada mês, economizaríamos para poder repor o estoque para um vilarejo no minimo. queremos encontrar meios de conseguir doações de remédios, material e dinheiro para poder atender mais pessoas. no futuro, nosso sonho é ter uma ambulância equipada para cirurgias e uma caravana que serviria de consultório/escritório. encontrando financiamento, estamos dispostos a, por 12 meses ou mais, rodar o pais todo, ficando uma a duas semanas em cada vilarejo, fazendo consultas como essas. temos até pensado em um nome: "Mercy Cars" (inspirado pelo projeto MercyShips - www.mercyships.org) até receberíamos voluntários por uma semana a vários meses (estudantes de medicina, fiquem ligados).

se vc quiser ajudar, quiser mais informações, ou tiver ideias/experiencias, por favor, entre em contato!

quero aqui aproveitar para agradecer a minha família da Suíça, principalmente ao oncle Raymond et tante Céline bem como o seu filho Yves et sua esposa Ana que nos deram muito material quando estivemos com eles em dezembro. Nous utilisons toutes les bandes et médicaments que vous nous avez donné! merci du fond du coeur!!

quinta-feira, 15 de março de 2012

Les hommes invisibles

Todos mundo esta falando da campanha Kony 2012.

Para alguns é simplesmente parte da moda, onda do momento. daqui alguns meses nem se lembrarão direito do Kony.

Para outros é pura perda de tempo. "pq se mobilizar em prol de uma causa em um pais distante se aqui do ladinho tem gente sofrendo tb?", "Essa campanha tem fins escondidos, os USA querem algo do Uganda", "Se o Kony fosse tao ruim assim, já o teriam prendido", "O próprio Uganda esta envolvido e não fez nada para parar o Kony", "a ONG Invisible Children é uma farsa e desviou dinheiro doado" e assim vai.

Outros, como eu, aderiram a campanha e querem realmente ver o Kony preso.

Nao me importo em saber de que lado vc esta. não quero discutir politica. só quero compartilhar com vcs algumas informações que recolhi no site da Corte Criminal Internacional (http://www.icc-cpi.int).

Andei pesquisando o site, e descobri que, como o Kony, existem muitos outros criminosos totalmente desconhecidos para a maioria dentre nos. quem já ouviu falar de Mathieu Ngudjolo Chui,  Thomas Lubanga Dyilo ou Uhuru Muigai Kenyatta?

vejam um pouco essa planilha:



11 desses caras estão correndo por ai. 11 homens cometeram atrocidades e não foram julgados pois ngm conseguiu por a mão neles ainda!
A ideia principal da campanha do Kony é torná-lo conhecido de todos, não é? Minha esperança é que não fique só nisso, e que esses outros 10 criminosos que estão vivendo de boa por ai também sejam conhecidos de todos. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Un changement durable

Pensa comigo: digamos que num certo vilarejo africano, 40% da população sofre frequentemente de diarreia e de doenças como febre tifoide, meningite, gonorreia, erisipela, tuberculose e cólera. desses 40%,  mais da metade é composta de crianças. quando doentes, elas faltam a escola, e isso faz com que tenham um baixo desempenho escolar e acabam repetindo de ano. essa população vive de agricultura, que ela faz localmente. dois riachos correm em volta do vilarejo. não ha nenhuma instalação básica de pontos de água ou latrinas, ou seja, eles defecam ao ar livre, em lugares definidos, e a água usada tanto para beber, cozinhar como para limpar e regar a plantação vem diretamente do riacho, sem tratamento nenhum. como melhorar a qualidade de vida dos habitantes desse vilarejo?

Os mais apressados diriam: vamos até o vilarejo construir latrinas!! vamos trazer água encanada! vamos criar um posto de saúde e tratar todo mundo de graça!

FAUX! (errado!)

Semana passada participei de uma sensibilização organizada por nossa equipe da ADRA. se vc quiser obter uma mudança verdadeira numa comunidade, essa decisão tem que partir da comunidade. partindo desse principio, fomos até o vilarejo e nos reunimos com todos ali presentes (tínhamos avisado que viríamos).

o primeiro passo é saudar a todos, nos apresentar e lhes explicar o motivo de nossa visita. e qual era o objetivo? ter uma conversa com eles para juntos analisarmos a sua situação sanitária e vermos se existe algum problema. existindo um problema, juntos acharmos uma solução.

em seguida, queremos conhecer a situação, conhecer melhor o vilarejo. então pedimos para que desenhem, no chão, um mapa do vilarejo e que indiquem os pontos mais importantes (casa do chefe, casa do professor, rios, plantações, poços, latrinas - se tiverem - estradas, igreja, escola, etc)
por ultimo pedimos a eles que indiquem onde costumam defecar.

agora a coisa fica mais seria...vimos o mapa do vilarejo, agora queremos ver o vilarejo, principalmente o local onde defecam.
sempre que anunciamos a eles que queremos ver onde defecam, todos ficam espantados e acham que estamos brincando. quando afirmamos que temos que ver o local, começam a ficar preocupados. começa então o que chamamos de "marcha da vergonha".
 todo o vilarejo segue nossa equipe até os lugares onde disseram que defecam.
alguns entram no jogo e apontam com cara de dedo duro para as fezes ali deixadas. outros saem correndo, alguns dão risadas nervosas. sempre perguntamos "que foi que fez esse?" e tiramos fotos.
por fim, apos dar aquela volta, escolhemos uma bela amostra, que vamos levar até o local da reunião.

nesse ponto, o povo do vilarejo acha que somos loucos e sentem muito nojo do que estamos fazendo. coitados, não sabem que a coisa vai piorar!
chegando no local da reunião, colocamos a amostra ao lado de um prato cheio de djékoumé (tipo de polenta) com molho de peixe (geralmente ao ver a cena, as mulheres gritam de nojo). em menos de 30 segundos, atraídas pelo cheiro, moscas veem se pousar nas fezes e em seguida na comida. todos assistam a cena com nojo. para piorar, um membro de nossa equipe mistura, numa garrafa, água mineral e um pouco de fezes e pergunta se alguém quer bebê-la.
já sabem qual a reação do povo, né?
agora vem a parte crucial. temos que analisar, junto com eles a situação. conversamos então sobre o que acontece se defecarem ao ar livre. falamos da contaminação pelas moscas, falamos também das chuvas, que levam o resto de suas fezes para o riacho, cuja água eles usam. perguntamos se alguém já sofreu de febre, diarreia, vômito. se já tiveram que ir ao medico para se tratar. se já houve mortes. eles respondem, eles analisam o assunto. eles então entendem que as fezes estão causando todas essas coisas. eles entendem que precisam fazer algo para mudar a situação. eles sentem vergonha de como estavam vivendo (na ignorância) e querem mudar.
nesse momento perguntamos a eles quais são as soluções que eles poderiam adotar para resolver o problema. ai surgem ideias como não defecar ao ar livre, construir latrinas, cavar poços, cobrir a comida. tudo sugerido pela população.
juntos então, decidimos quais as soluções mais praticas e viáveis para eles, e pedimos para que aqueles que estão prontos a se mobilizar em prol da ideia levantem a mão. vejam o resultado:
todos querem participar!
agora sim, podemos ajudar esse vilarejo a ter latrinas, poços, e muito mais!

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Des cadeaux: en veux-tu? en voila!

Este vai ser o post mais cara de pau que já escrevi no blog!
Bom dia minha gente!!!! como estão hoje? espero que de muito bom humor pois hoje preciso de vocês ahahahah.

alguns dias atras eu estava conversando com o Moacy, a Regilza e outras pessoas no facebook, e acabamos por falar de doces e coisas que não encontramos aqui no Togo. Dai tomei coragem e anunciei que criaria uma Wishlist das coisas que gostaríamos de ter mas, por algum motivo, não temos.

hoje decidi publicar a lista aqui. vou tentar deixá-la sempre atualizada, dessa forma aqueles que quiserem (digo bem, quiserem) nos ajudar enviando-nos um ou outro item da lista (ou qualquer outro de sua própria escolha, mesmo estando fora da lista) poderão fazê-lo por correio. basta preparar um pacotinho especial (nem precisa ser SEDEX viu), e enviar para o seguinte endereço:

Jacques et Leiza Amegnito
BP8254
Lomé - Togo

Gente, antes de enviar o pacote, siga as seguintes instruções:
  • nada de líquidos: pode haver vazamento durante o transporte.
  • nada de objetos frágeis: podem se quebrar no caminho.
  • cuidado com a data de vencimento! não sabemos exatamente quando o pacote vai chegar aqui (pode levar meses) e não queremos que nada se estrague.
  • reforce bem o pacote. coloque bastante fita adesiva nos cantos e bordas. eles não tem nenhum cuidado com os pacotes! e assim também poderemos saber se o abriram antes da entrega.
  • não mande objetos de grande valor. roubos na alfandega e no correio são frequentes.
a lista pode ser encontrada aqui: http://pinterest.com/zazousworld/wish-list/

antes de nos enviar qualquer coisa, por favor, mande-nos um email avisando ( leizaugs at gmail ponto com).

valeu galera! 

P.S. alguns itens da lista não podem ser enviados por correio (como o piano). Mas se vc quiser mesmo assim doá-los ou nos ajudar a adquiri-los, entre em contato pelo e-mail informado mais acima.