quinta-feira, 12 de maio de 2011

Ce qui compte c’est l’apparence

Aconteceu um fato interessante no outro dia comigo.

No Brasil, todos sempre souberam que eu era cristã, que eu tinha princípios e costumava frequentar a igreja adventista do sétimo dia.

Aqui no Togo trabalho na ADRA, que é uma ONG da igreja adventista do sétimo dia, e por isso sou uma obreira dessa igreja.

Como eu disse no outro post, estou frequentando a igreja de Agoe 2, uma igrejinha pequena muito ativa. Já faz quase 6 meses que vou la. É verdade que por causa de viagens e canseira estive ausente alguns sábados.

Devido ao calor, eu sento la fora com o Jacques. Também uso minhas roupas normais, mesmo que as vezes inusuais para eles (mas totalmente decentes) e gosto de discutir com os membros minhas opiniões na hora da escola sabatina. Enfim, para mim, tudo estava perfeitamente normal.

Alguns sábados atras organizaram um sábado especial para arrecadar fundos para a construção da igreja. Eu levei meu violão pensando que poderia ser útil para tocar junto ao tecladista. Nunca tinha feito isso antes.

Cheguei e já fui afinar o instrumento com o teclado. Tocamos uma musica. Foi muito bom. Pediram para eu tocar outra e cantar. Ok, beleza. Cantei, toquei. Dai o tecladista me avisou que ele era o pregador do dia e pediu se eu poderia tocar o teclado no lugar dele. Aceitei e toquei.

Organizaram um tipo de ajunta panela para o almoço e comemos todos juntos. Durante o almoço, muitas pessoas que nunca haviam falado comigo vieram me saudar. Todas me olhavam de forma diferente. Eu não entendia o porque. Não fiz nada de mais, só quebrei o galho do tecladista afinal, pq me olhar assim?

A noite, meu sogro veio falar comigo. Ele estava muito feliz e me dizia que eu tinha honrado sua família ao participar assim na igreja. Ele então me explicou que os membros achavam que eu não era adventista e que ia a igreja somente porque estava namorando o Jacques. Ao me ver tocando e cantando descobriram que eu era adventista e ficaram muito felizes.

Eu, da minha parte, fiquei em choque! Como assim não sou adventista? Foi então que o Jacques explicou : os diretores de ADRA anteriores não costumavam ir a igreja, e então criou-se uma crença de que nenhum diretor de ADRA era adventista. Alem disso, eu não me vestia como eles e ficava o tempo todo la fora… isso não ajudava!

Na verdade os outros diretores não iam a igreja pois não falavam a língua (sou a primeira diretora que fala francês) e passavam muito calor. Alem disso eles tinham crianças pequenas. Preferiam fazer um culto familiar em casa. Mas nunca, digo nunca, a ADRA teve um diretor oficial não adventista.

Isso tudo me faz pensar em duas coisas: primeiramente, como meu testemunho foi fraco! Como pude deixar transparecer que não era adventista? Como puderam pensar uma coisa destas?

Em segundo lugar, como julgar uma pessoa sem realmente a conhecer e como fofocas e dizeres podem ser prejudiciais! Ninguém nunca perguntou a estes outros missionários porque não iam a igreja. Para os togoleses, se você não vai a igreja, não é adventista e pronto. Isso é preocupante.

Infelizmente aqui , mais do que no brasil, tira-se muitas conclusões, julga-se pela aparência, e os padrões para estes julgamentos são muito exigentes e, ao meu ver, errôneos e inúteis, quase descriminatórios.

Mas não posso colocar a culpa toda neles. Meu testemunho foi muito fraco. Preciso mudar isso.

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