Todos mundo esta falando da campanha Kony 2012.
Para alguns é simplesmente parte da moda, onda do momento. daqui alguns meses nem se lembrarão direito do Kony.
Para outros é pura perda de tempo. "pq se mobilizar em prol de uma causa em um pais distante se aqui do ladinho tem gente sofrendo tb?", "Essa campanha tem fins escondidos, os USA querem algo do Uganda", "Se o Kony fosse tao ruim assim, já o teriam prendido", "O próprio Uganda esta envolvido e não fez nada para parar o Kony", "a ONG Invisible Children é uma farsa e desviou dinheiro doado" e assim vai.
Outros, como eu, aderiram a campanha e querem realmente ver o Kony preso.
Nao me importo em saber de que lado vc esta. não quero discutir politica. só quero compartilhar com vcs algumas informações que recolhi no site da Corte Criminal Internacional (http://www.icc-cpi.int).
Andei pesquisando o site, e descobri que, como o Kony, existem muitos outros criminosos totalmente desconhecidos para a maioria dentre nos. quem já ouviu falar de Mathieu Ngudjolo Chui, Thomas Lubanga
Dyilo ou Uhuru Muigai Kenyatta?
vejam um pouco essa planilha:
11 desses caras estão correndo por ai. 11 homens cometeram atrocidades e não foram julgados pois ngm conseguiu por a mão neles ainda!
A ideia principal da campanha do Kony é torná-lo conhecido de todos, não é? Minha esperança é que não fique só nisso, e que esses outros 10 criminosos que estão vivendo de boa por ai também sejam conhecidos de todos.
quinta-feira, 15 de março de 2012
segunda-feira, 12 de março de 2012
Un changement durable
Pensa comigo: digamos que num certo vilarejo africano, 40% da população sofre frequentemente de diarreia e de doenças como febre tifoide, meningite, gonorreia, erisipela, tuberculose e cólera. desses 40%, mais da metade é composta de crianças. quando doentes, elas faltam a escola, e isso faz com que tenham um baixo desempenho escolar e acabam repetindo de ano. essa população vive de agricultura, que ela faz localmente. dois riachos correm em volta do vilarejo. não ha nenhuma instalação básica de pontos de água ou latrinas, ou seja, eles defecam ao ar livre, em lugares definidos, e a água usada tanto para beber, cozinhar como para limpar e regar a plantação vem diretamente do riacho, sem tratamento nenhum. como melhorar a qualidade de vida dos habitantes desse vilarejo?
Os mais apressados diriam: vamos até o vilarejo construir latrinas!! vamos trazer água encanada! vamos criar um posto de saúde e tratar todo mundo de graça!
FAUX! (errado!)
Semana passada participei de uma sensibilização organizada por nossa equipe da ADRA. se vc quiser obter uma mudança verdadeira numa comunidade, essa decisão tem que partir da comunidade. partindo desse principio, fomos até o vilarejo e nos reunimos com todos ali presentes (tínhamos avisado que viríamos).
o primeiro passo é saudar a todos, nos apresentar e lhes explicar o motivo de nossa visita. e qual era o objetivo? ter uma conversa com eles para juntos analisarmos a sua situação sanitária e vermos se existe algum problema. existindo um problema, juntos acharmos uma solução.
em seguida, queremos conhecer a situação, conhecer melhor o vilarejo. então pedimos para que desenhem, no chão, um mapa do vilarejo e que indiquem os pontos mais importantes (casa do chefe, casa do professor, rios, plantações, poços, latrinas - se tiverem - estradas, igreja, escola, etc)
por ultimo pedimos a eles que indiquem onde costumam defecar.
agora a coisa fica mais seria...vimos o mapa do vilarejo, agora queremos ver o vilarejo, principalmente o local onde defecam.
sempre que anunciamos a eles que queremos ver onde defecam, todos ficam espantados e acham que estamos brincando. quando afirmamos que temos que ver o local, começam a ficar preocupados. começa então o que chamamos de "marcha da vergonha".
todo o vilarejo segue nossa equipe até os lugares onde disseram que defecam.
alguns entram no jogo e apontam com cara de dedo duro para as fezes ali deixadas. outros saem correndo, alguns dão risadas nervosas. sempre perguntamos "que foi que fez esse?" e tiramos fotos.
por fim, apos dar aquela volta, escolhemos uma bela amostra, que vamos levar até o local da reunião.
nesse ponto, o povo do vilarejo acha que somos loucos e sentem muito nojo do que estamos fazendo. coitados, não sabem que a coisa vai piorar!
chegando no local da reunião, colocamos a amostra ao lado de um prato cheio de djékoumé (tipo de polenta) com molho de peixe (geralmente ao ver a cena, as mulheres gritam de nojo). em menos de 30 segundos, atraídas pelo cheiro, moscas veem se pousar nas fezes e em seguida na comida. todos assistam a cena com nojo. para piorar, um membro de nossa equipe mistura, numa garrafa, água mineral e um pouco de fezes e pergunta se alguém quer bebê-la.
já sabem qual a reação do povo, né?
agora vem a parte crucial. temos que analisar, junto com eles a situação. conversamos então sobre o que acontece se defecarem ao ar livre. falamos da contaminação pelas moscas, falamos também das chuvas, que levam o resto de suas fezes para o riacho, cuja água eles usam. perguntamos se alguém já sofreu de febre, diarreia, vômito. se já tiveram que ir ao medico para se tratar. se já houve mortes. eles respondem, eles analisam o assunto. eles então entendem que as fezes estão causando todas essas coisas. eles entendem que precisam fazer algo para mudar a situação. eles sentem vergonha de como estavam vivendo (na ignorância) e querem mudar.
nesse momento perguntamos a eles quais são as soluções que eles poderiam adotar para resolver o problema. ai surgem ideias como não defecar ao ar livre, construir latrinas, cavar poços, cobrir a comida. tudo sugerido pela população.
juntos então, decidimos quais as soluções mais praticas e viáveis para eles, e pedimos para que aqueles que estão prontos a se mobilizar em prol da ideia levantem a mão. vejam o resultado:
todos querem participar!
agora sim, podemos ajudar esse vilarejo a ter latrinas, poços, e muito mais!
Os mais apressados diriam: vamos até o vilarejo construir latrinas!! vamos trazer água encanada! vamos criar um posto de saúde e tratar todo mundo de graça!
FAUX! (errado!)
Semana passada participei de uma sensibilização organizada por nossa equipe da ADRA. se vc quiser obter uma mudança verdadeira numa comunidade, essa decisão tem que partir da comunidade. partindo desse principio, fomos até o vilarejo e nos reunimos com todos ali presentes (tínhamos avisado que viríamos).
o primeiro passo é saudar a todos, nos apresentar e lhes explicar o motivo de nossa visita. e qual era o objetivo? ter uma conversa com eles para juntos analisarmos a sua situação sanitária e vermos se existe algum problema. existindo um problema, juntos acharmos uma solução.
em seguida, queremos conhecer a situação, conhecer melhor o vilarejo. então pedimos para que desenhem, no chão, um mapa do vilarejo e que indiquem os pontos mais importantes (casa do chefe, casa do professor, rios, plantações, poços, latrinas - se tiverem - estradas, igreja, escola, etc)
por ultimo pedimos a eles que indiquem onde costumam defecar.
agora a coisa fica mais seria...vimos o mapa do vilarejo, agora queremos ver o vilarejo, principalmente o local onde defecam.
sempre que anunciamos a eles que queremos ver onde defecam, todos ficam espantados e acham que estamos brincando. quando afirmamos que temos que ver o local, começam a ficar preocupados. começa então o que chamamos de "marcha da vergonha".
todo o vilarejo segue nossa equipe até os lugares onde disseram que defecam.
alguns entram no jogo e apontam com cara de dedo duro para as fezes ali deixadas. outros saem correndo, alguns dão risadas nervosas. sempre perguntamos "que foi que fez esse?" e tiramos fotos.
por fim, apos dar aquela volta, escolhemos uma bela amostra, que vamos levar até o local da reunião.
nesse ponto, o povo do vilarejo acha que somos loucos e sentem muito nojo do que estamos fazendo. coitados, não sabem que a coisa vai piorar!
chegando no local da reunião, colocamos a amostra ao lado de um prato cheio de djékoumé (tipo de polenta) com molho de peixe (geralmente ao ver a cena, as mulheres gritam de nojo). em menos de 30 segundos, atraídas pelo cheiro, moscas veem se pousar nas fezes e em seguida na comida. todos assistam a cena com nojo. para piorar, um membro de nossa equipe mistura, numa garrafa, água mineral e um pouco de fezes e pergunta se alguém quer bebê-la.
já sabem qual a reação do povo, né?
agora vem a parte crucial. temos que analisar, junto com eles a situação. conversamos então sobre o que acontece se defecarem ao ar livre. falamos da contaminação pelas moscas, falamos também das chuvas, que levam o resto de suas fezes para o riacho, cuja água eles usam. perguntamos se alguém já sofreu de febre, diarreia, vômito. se já tiveram que ir ao medico para se tratar. se já houve mortes. eles respondem, eles analisam o assunto. eles então entendem que as fezes estão causando todas essas coisas. eles entendem que precisam fazer algo para mudar a situação. eles sentem vergonha de como estavam vivendo (na ignorância) e querem mudar.
nesse momento perguntamos a eles quais são as soluções que eles poderiam adotar para resolver o problema. ai surgem ideias como não defecar ao ar livre, construir latrinas, cavar poços, cobrir a comida. tudo sugerido pela população.
juntos então, decidimos quais as soluções mais praticas e viáveis para eles, e pedimos para que aqueles que estão prontos a se mobilizar em prol da ideia levantem a mão. vejam o resultado:
todos querem participar!
agora sim, podemos ajudar esse vilarejo a ter latrinas, poços, e muito mais!
terça-feira, 6 de março de 2012
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Des cadeaux: en veux-tu? en voila!
Este vai ser o post mais cara de pau que já escrevi no blog!
Bom dia minha gente!!!! como estão hoje? espero que de muito bom humor pois hoje preciso de vocês ahahahah.
alguns dias atras eu estava conversando com o Moacy, a Regilza e outras pessoas no facebook, e acabamos por falar de doces e coisas que não encontramos aqui no Togo. Dai tomei coragem e anunciei que criaria uma Wishlist das coisas que gostaríamos de ter mas, por algum motivo, não temos.
hoje decidi publicar a lista aqui. vou tentar deixá-la sempre atualizada, dessa forma aqueles que quiserem (digo bem, quiserem) nos ajudar enviando-nos um ou outro item da lista (ou qualquer outro de sua própria escolha, mesmo estando fora da lista) poderão fazê-lo por correio. basta preparar um pacotinho especial (nem precisa ser SEDEX viu), e enviar para o seguinte endereço:
Jacques et Leiza Amegnito
BP8254
Lomé - Togo
Gente, antes de enviar o pacote, siga as seguintes instruções:
antes de nos enviar qualquer coisa, por favor, mande-nos um email avisando ( leizaugs at gmail ponto com).
valeu galera!
P.S. alguns itens da lista não podem ser enviados por correio (como o piano). Mas se vc quiser mesmo assim doá-los ou nos ajudar a adquiri-los, entre em contato pelo e-mail informado mais acima.
Bom dia minha gente!!!! como estão hoje? espero que de muito bom humor pois hoje preciso de vocês ahahahah.
alguns dias atras eu estava conversando com o Moacy, a Regilza e outras pessoas no facebook, e acabamos por falar de doces e coisas que não encontramos aqui no Togo. Dai tomei coragem e anunciei que criaria uma Wishlist das coisas que gostaríamos de ter mas, por algum motivo, não temos.
hoje decidi publicar a lista aqui. vou tentar deixá-la sempre atualizada, dessa forma aqueles que quiserem (digo bem, quiserem) nos ajudar enviando-nos um ou outro item da lista (ou qualquer outro de sua própria escolha, mesmo estando fora da lista) poderão fazê-lo por correio. basta preparar um pacotinho especial (nem precisa ser SEDEX viu), e enviar para o seguinte endereço:
Jacques et Leiza Amegnito
BP8254
Lomé - Togo
Gente, antes de enviar o pacote, siga as seguintes instruções:
- nada de líquidos: pode haver vazamento durante o transporte.
- nada de objetos frágeis: podem se quebrar no caminho.
- cuidado com a data de vencimento! não sabemos exatamente quando o pacote vai chegar aqui (pode levar meses) e não queremos que nada se estrague.
- reforce bem o pacote. coloque bastante fita adesiva nos cantos e bordas. eles não tem nenhum cuidado com os pacotes! e assim também poderemos saber se o abriram antes da entrega.
- não mande objetos de grande valor. roubos na alfandega e no correio são frequentes.
antes de nos enviar qualquer coisa, por favor, mande-nos um email avisando ( leizaugs at gmail ponto com).
valeu galera!
P.S. alguns itens da lista não podem ser enviados por correio (como o piano). Mas se vc quiser mesmo assim doá-los ou nos ajudar a adquiri-los, entre em contato pelo e-mail informado mais acima.
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Cadeau inespéré
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Images de Lomé
hoje quer compartilhar com vcs imagens que vemos todos os dias. as fotos foram tiradas por nossa amiga Rhode que veio nos visitar. se vierem nos visitar também, heis um exemplo do que vcs poderiam ver na da cidade.
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| Vendinha tipica na beira da estrada. ali vc pode encontrar de tudo: açucar, doces, plastico, ovos, pimenta, pente, etc. |
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| do lado esquerdo da foto alguns paneis publicitarios anunciando um restaurante, uma costureira e a venda de cartão telefonico. ao lado um marceneiro expõe os sofas que ele fez |
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| do lado do marceneiro vc tb pode comprar algo para seu banheiro |
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| Friperie chique! lojinha onde se vende roupas e calçados usados que vieram da europa (friperie = brecho) |
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| Mulher comprando uma bacia de agua do vizinho. se vc tiver um poço e nao depender da agua do governo, vc pode vende-la. basta instalar esse tipo de torneirão do lado de fora da casa. |
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| sim... eles nos perseguem até aqui! aff... |
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| rua onde fica o escritorio da ADRA |
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| ainda na rua onde fica o escritorio da ADRA, estão construindo um hotel ali na esquina. |
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| a ideia principal aqui é ter as mãos livres sempre. por isso se amarra o bebe nas costas e carrega-se tudo na cabeça. |
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| nosso motorista indo trocar um pneu (a coisa amarela no ombro dele é um pneu embrulhado). |
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Le hasard n'existe pas
Ontem estávamos voltando da praia quando avistamos na beira da estrada um monte de gente e um homem ao chao. com certeza tinha ocorrido um acidente ali. paramos o carro alguns metros adiante, e o Jacques saiu correndo ver o que tinha acontecido.
infelizmente um homem havia caído com a moto, e nao sabemos como, conseguira fraturar a rotula, o tibia e a fibula (perónio). e, claro, os ossos tinham cortado a carne e estavam expostos.
o homem estava sangrando muito, e o povo em volta não fazia nada. eu já lhes expliquei como funciona o hospital aqui: vc paga antes de receber o tratamento. sem dinheiro, não ha tratamento. o povo ali em volta não fazia nada por dois motivos: primeiro por não saber o que fazer, segundo por não terem como (ou não quererem) pagar o tratamento caso levassem o homem para o hospital.
tudo isso aconteceu a uns 30 quilómetros do centro da cidade. mesmo que chamássemos uma ambulância, primeiro ela não viria (muito longe segundo eles) e se ela viesse (isso se tivesse gasolina nela) levaria tempo demais para chegar (estradas esburacadas, muitos desvios por causa de reforma da estrada, etc). outros motoristas ali presentes recusaram em leva-lo para o hospital de medo que o homem morresse antes de chegar.
a solução era levarmos o homem no nosso carro.
mas antes, era preciso parar o sangramento. infelizmente estávamos com a camioneta da ADRA e nao o nosso proprio carro, e tínhamos deixado nossa mala de primeiro socorros nele. pegamos então as toalhas que tínhamos usado na praia e cortamos em pedaços. o Jacques pôs no lugar os ossos (sem anestesia), e fez um garrote. pegaram então o homem e o deitaram na caçamba da camioneta. duas pessoas foram atras com ele.
dirigi com o máximo de cuidado que podia ter. estava muito nervosa pois o homem ainda estava sangrando (bem menos do que antes). ele gritava e chorava, eu podia ouvi-lo de dentro do carro. horrível! a cada buraco eu tentava passar o mais de vagar possível, e quando dava acelerava o máximo possível para ganhar tempo. após uns 40 quilómetros (escolhemos ir para uma cidade um pouco mais distante, mas com um bom hospital, porque a estrada era a mais praticável), vimos a entrada do hospital. rapidamente os enfermeiros vieram com uma maca e levaram o homem. gente, esse homem gritava tanto!!!!!! me arrepio so de lembrar...
as vezes quando vc chega no hospital assim, ainda mais de noite (eram por volta das 20h00) vc encontra somente alguns enfermeiros, mas nenhum medico. o Jacques tinha decidido que chegando no hospital, ele iria direto para o bloco com o homem para parar definitivamente o sangramento e talvez fazer alguma cirurgia se fosse necessário. chegando la, descobrimos que toda a equipe estava ao completo, e inclusive um cirurgião estava ali! que alivio.
pagamos todo o material necessario para a operação, mais os remédios, e deixamos ainda um dinheiro com um dos parentes para comprar comida. voltamos então para a casa.
o interessante é notar que naquela manhã, saímos de casa com somente 10'000 francos. durante o dia recebi mais 20'000 que tinha emprestado a um amigo. a conta do hospital ficou em 25'000. no final do dia tínhamos ainda 5'000 para comer no caminho de volta (estávamos famintos). tínhamos ainda planejado voltar para casa muito mais cedo, mas acabamos perdendo tempo conversando e tirando fotos na praia, alem de ainda fazermos uma parada totalmente inesperada para visitar um lugar. quando passamos por aquele local, o acidente acabava de ocorrer. 5 minutos antes, teríamos passado e não teríamos visto nada. ultimo detalhe: tínhamos decidido ir a praia, mas não entrar na agua (mar muito forte por aqui). mas no ultimo momento achamos que era melhor mesmo assim levar toalhas, "nunca se sabe"...
eu não acredito em azar.
Abaixo algumas fotos. Almas sensíveis, se abster!
infelizmente um homem havia caído com a moto, e nao sabemos como, conseguira fraturar a rotula, o tibia e a fibula (perónio). e, claro, os ossos tinham cortado a carne e estavam expostos.
o homem estava sangrando muito, e o povo em volta não fazia nada. eu já lhes expliquei como funciona o hospital aqui: vc paga antes de receber o tratamento. sem dinheiro, não ha tratamento. o povo ali em volta não fazia nada por dois motivos: primeiro por não saber o que fazer, segundo por não terem como (ou não quererem) pagar o tratamento caso levassem o homem para o hospital.
tudo isso aconteceu a uns 30 quilómetros do centro da cidade. mesmo que chamássemos uma ambulância, primeiro ela não viria (muito longe segundo eles) e se ela viesse (isso se tivesse gasolina nela) levaria tempo demais para chegar (estradas esburacadas, muitos desvios por causa de reforma da estrada, etc). outros motoristas ali presentes recusaram em leva-lo para o hospital de medo que o homem morresse antes de chegar.
a solução era levarmos o homem no nosso carro.
mas antes, era preciso parar o sangramento. infelizmente estávamos com a camioneta da ADRA e nao o nosso proprio carro, e tínhamos deixado nossa mala de primeiro socorros nele. pegamos então as toalhas que tínhamos usado na praia e cortamos em pedaços. o Jacques pôs no lugar os ossos (sem anestesia), e fez um garrote. pegaram então o homem e o deitaram na caçamba da camioneta. duas pessoas foram atras com ele.
dirigi com o máximo de cuidado que podia ter. estava muito nervosa pois o homem ainda estava sangrando (bem menos do que antes). ele gritava e chorava, eu podia ouvi-lo de dentro do carro. horrível! a cada buraco eu tentava passar o mais de vagar possível, e quando dava acelerava o máximo possível para ganhar tempo. após uns 40 quilómetros (escolhemos ir para uma cidade um pouco mais distante, mas com um bom hospital, porque a estrada era a mais praticável), vimos a entrada do hospital. rapidamente os enfermeiros vieram com uma maca e levaram o homem. gente, esse homem gritava tanto!!!!!! me arrepio so de lembrar...
as vezes quando vc chega no hospital assim, ainda mais de noite (eram por volta das 20h00) vc encontra somente alguns enfermeiros, mas nenhum medico. o Jacques tinha decidido que chegando no hospital, ele iria direto para o bloco com o homem para parar definitivamente o sangramento e talvez fazer alguma cirurgia se fosse necessário. chegando la, descobrimos que toda a equipe estava ao completo, e inclusive um cirurgião estava ali! que alivio.
pagamos todo o material necessario para a operação, mais os remédios, e deixamos ainda um dinheiro com um dos parentes para comprar comida. voltamos então para a casa.
o interessante é notar que naquela manhã, saímos de casa com somente 10'000 francos. durante o dia recebi mais 20'000 que tinha emprestado a um amigo. a conta do hospital ficou em 25'000. no final do dia tínhamos ainda 5'000 para comer no caminho de volta (estávamos famintos). tínhamos ainda planejado voltar para casa muito mais cedo, mas acabamos perdendo tempo conversando e tirando fotos na praia, alem de ainda fazermos uma parada totalmente inesperada para visitar um lugar. quando passamos por aquele local, o acidente acabava de ocorrer. 5 minutos antes, teríamos passado e não teríamos visto nada. ultimo detalhe: tínhamos decidido ir a praia, mas não entrar na agua (mar muito forte por aqui). mas no ultimo momento achamos que era melhor mesmo assim levar toalhas, "nunca se sabe"...
eu não acredito em azar.
Abaixo algumas fotos. Almas sensíveis, se abster!
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| tropéu de gente que chamou nossa atenção |
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| o ferido no chão, e o Jacques com a camisa listrada agachado cuidando dele |
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| detalhe: o povo em volta so olhava e brigava com o homem dizendo "ta vendo o que da correr com a moto?" aff! (o jacques é o cara agachado, e nao o cara de camisa listrada e short laranja) |
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| cortando as toalhas que tinhamos |
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| colocando o homem na camioneta |
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| Add caption |
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| tivemos que trabalhar com o que tínhamos na mão: toalhas e um pedaço e papelão para imobilizar a perna. |
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| chegando no hospital de Aneho |
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| lavamos o carro com agua, candida e alcool |
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