Desde que li o post sobre as igrejas na guine Bissau que meu amigo Jonas escreveu, tenho vontade de lhes contra sobre minha igreja.Sempre gostei de frequentar igrejas pequenas. No brasil tentei ser membro de igrejas pequenas, grupos, enfim, algum lugar onde eu nao seria mais um numero no rol de membros como nas grandes igrejas.
Ao chegar aqui, já fui perguntando qual era a menor igreja mais proxima de minha casa. Me enrolaram me dizendo que eu estava entre varias igrejas e que eu deveria ir a de Forever ou de Adidogomé. Me explicaram que a de Forever era a igreja do pessoal da União, e que eu estaria bem la. Na hora recusei. Não quero frequentar uma igreja porque « pessoas importantes » a frequentam. Tou fora. Seria Adidogomé então. Expliquei que procurava uma igreja pequena e me juraram de pé junto que era a igreja perfeita para mim. Então eu fui.
Chegando la me deparei com uma igreja de quase 300 membros. Um prédio grande, com muitos bancos, aparelhos de som, salinha das crianças e um bom coral. Enfim, uma ótima igreja, mas nem um pouco parecida com o que eu procurava. 300 membros? Não precisam de mais um! Queria outra igreja mas não sabia onde encontrar.
Conheci o Jacques e engatamos o namoro e ele então me levou a igrejinha de seus pais. Uma igreja de 60 membros animadíssimos, um coralzinho de 10 membros e muitas crianças. La eles tinham um teclado, no qual o único musico da igreja tocava com dois dedos e sempre na clave de do (depois me explicou que transpõe todas as musicas de ouvido pois não sabe tocar nas outras claves). Até que enfim tinha encontrado a minha igreja. Eu queria ficar na igrejinha de Agoe 2.
Devido as paredes de palha e o teto de zinco, faz um calor infernal (na igreja haha) la dentro. Imagine então quando esta cheia de gente! No primeiro sábado quase desmaiei então o Jacques me proibiu de sentar la dentro, sendo que eu passei vários sábados assistindo o culto olhando pela janela aberta, sentada a sombra de um limoeiro.
Outro problema é a roupa. Aqui ainda se mantem uma linha muito tradicional na igreja, sendo que mostrar os joelhos ou os ombros, decotes ousados e blusas curtas são totalmente proibidos. Mas gente, sinto muito, muuuuuuito calor vestida como eles exigem, então uso minhas roupas de Yovo (branco, lembra?) e eles que me engulam assim.
Minha igrejinha precisa de muita coisa. Precisa primeiro ser construída de verdade. Ao ver as fotos talvez vc pense que todas as igrejas são assim aqui. Pois bem, vc acha que uma igreja de palha no meio da cidade de são paulo é algo normal? Não? Pois bem, aqui também não! Estamos numa cidade, com prédios, ruas asfaltadas, hotéis de luxo, supermercados, porque seria normal termos uma igreja de palha como se estivéssemos no meio do mato? Para aqueles que acham que a africa é um continente cheio de pessoas sub-desenvolvidas morando no meio do mato, por favor, mudem esse pensamento. É o mesmo que pensar que no brasil so tem favelas, fome e carnaval!

Então, voltando ao assunto (desculpe pessoal, as vezes me empolgo), minha igreja tem muito potencial humano, e esse povo não tem medo de trabalhar. Sempre estão organizando campanhas, vigílias, semanas de oração, concertos, eventos JA, etc. Mas acompanhando a ideia do Jonas, ter uma igreja fixa e bonita faz toda a diferença. A única coisa que difere da situação da guine Bissau é que minha igreja, mesmo tão precária, sempre esta cheia. Bem cheia!
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