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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Un village chaleureux


A ADRA Togo mantem um projeto de microcrédito que envolve mais de 130 grupos (grupos ativos atualmente) impactando a vida de quase 15’900 pessoas. Tive o privilegio de poder levar meus pais para conhecerem  3 desses tantos grupos.

Tratam-se dos grupos do vilarejo de Adzoguidji Kopé. Nesse vilarejo de cerca de 500 pessoas, estes três grupos cultivam abacaxi que eles vendem no mercado local, mandioca que é transformada em gari (farinha de mandioca) e tapioca, além de fabricarem esteira de juncos usadas como colchão pela maioria do povo. Estamos também construindo um centro de alfabetização para adultos e um um grande galinheiro (para os ovos e a carne - coitadinhas das galinhas!).

Eu tinha mandado o recado pela nossa equipe que os estaríamos visitando naquele dia. Eles nos aguardavam ansiosos! Tinham varrido (isso mesmo, varrido) todo o vilarejo! Detalhe que o chão é de terra batida e areia! Dava pra ver as marcas da vassourinha de palha que eles usaram. Eles aguardavam a visita dos Yovos. Tinham até composto uma musica que dizia « gente do vilarejo, não se assuste, pois nos ligaram da ADRA avisando que hoje teremos uma visita especial ».

Assim que chegamos, começaram a nos mostrar cada cantinho do vilarejo. Cumpriram seu trabalho de guia turístico com muito zelo. Explicavam tudo calmamente na língua local (estávamos com uma tradutora da ADRA). Estavam orgulhosos do que tinham.

Eles foram super mega hyper hospitaleiros, e encheram meus pais de presentes : quilos de gari, tapioca, coco verde colhido naquele mesmo dia, frutinhas locais, amendoim, e não me lembro mais o que. Também cantaram e dançaram.

Um dos professores da escola local tinha faltado, e algumas crianças estavam ao léu, brincando entre as casas de barro. Quando viram meus pais, vieram correndo e os seguiram durante a visita inteirinha. Todos queriam ser filmados ou fotografados. Davam altas gargalhadas e gritos de alegria quando meu pai lhes mostrava na maquina digital o que ele tinha acabado de filmar. Meu pai simpatizou tanto com esses pimpolhos que ele lhes mostrou um truque de como equilibrar 6 pregos em um só. Foi uma festa! Até os adultos ficaram curiosos e vieram aprender o truque. Um dia talvez eu lhes conte como fazer ;)

Na hora da despedida, meus pais saudaram um a um com um aperto de mão que se termina com um estralo de dedo (conhecem? Se não conhecerem, quando cruzarem com meu pai, peçam para ele mostrar). Foi hilario. Cada um queria apertar a mão dos meus pais e dar um estralo mais alto do que o do vizinho.

Parece que de todos os passeios e atividades que tivemos aqui com meus pais, essa visita foi a que eles mais gostaram. Se sentiram a vontade com esse povo simples e acolhedor. Eles estão tranquilos, longe do barulho e do stress da cidade, e vivem cada dia tranquilamente. As crianças crescem em comunidade, junto a natureza. Aprendem com seus pais o trabalho da terra, e os valores das tradições. são pessoas simples, muito simpáticas.

Enfim, foi um dia cansativo, mas um dia muito bom! O povo da ADRA é feliz e nos faz feliz!!


Abacaxi da ADRA: qualidade garantida eheh
esse tipo de abacaxi pode pesar varios quilos! me deram um com  quase 30cm de diâmetro (eu juro!).  Bem docinho, de longe o melhor que já comi!

Plantação de abacaxi. Mal posso esperar o tempo da colheita, me prometeram uns abacaxis suculentos :D
alguns cultivadores com roupa pra lavoura (estavam com vergonha de serem fotografados vestidos assim).

O vilarejo






Crianças seguindo meu pai

Crianças seguindo minha mãe

a pequena Josée estava chorando pois se assustou no tumulto que as crianças criaram para ver as fotos na maquina do meu pai

Descobrindo o video que meu pai gravou



muleque sapeca querendo sair na minha foto


Nesse caldeirão se prepara o gari

Preparando o gari


torrando o gari

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Réfugié

Alguém bate a sua porta com força. São 3 horas da manha e vc acorda assustado. Levanta aos tropeços e vai atender. É seu vizinho, lhe dizendo que soldados estão a caminho e que se quiser salvar sua pele é melhor dar o fora imediatamente.

Você, ainda desorientado, volta para dentro da casa, acorda toda a família e lhes da a noticia. Já se ouve lá fora barulho de camiões e alguns tiros. O que pegar, o que deixar? Não ha tempo de pensar. Tem que fugir imediatamente.

Foge com sua família pelos fundos da casa. Esse é o começo de uma longa jornada.

A maioria dos que estão lendo meu blog nunca passaram por uma situação dessas. Eu mesma nunca passei. Sempre ouvi falar de conflitos, guerras, acampamento de refugiados, mas nunca presenciei em carne e osso. Eram somente imagens na tv. Isso até eu chegar aqui e visitar pela primeira vez um campo de refugiados do UNHCR.

O primeiro acampamento que visitei abrigava togoleses que tiveram que abandonar seus lares por causa das enchentes em outubro 2010. Um acampamento de refugiados normalmente não é o lugar mais feliz do mundo, mas neste caso, apesar da catástrofe, todos os presentes nos acolheram com muito calor e alegria. Afinal suas vidas não estavam mais ameaçadas já que estavam em terrenos seguro, longe daquela água toda. Segunda feira fui visitar outro acampamento. Neste estão abrigados pessoas que fugiram a Guerra na Costa do Marfim. São pessoas que tiveram que largar tudo do dia pra noite, e puseram suas vidas em risco para sair daquele país. Alguns atravessaram a pé o Ghana (pais que fica entre a Costa do Marfim e o Togo) pois não queriam, não podiam ficar num pais onde não se falasse sua língua pois no ghana fala-se inglês, no Togo e na Costa do Marfim, francês.

O acampamento ainda estava sendo montado e os refugiados não haviam chegado ali. Pude tirar essas fotos que vocês estão vendo. Cada barraca acolhe normalmente 5 pessoas, mas em tempo de crise colocamos ate 15 pessoas nelas. De dia faz um calor infernal, e quando chove, se não estiver bem montada, molha tudo la dentro. Quando sai o sol, a água começa a se evaporar e a barraca vira uma sauna…

Para ajudar, você não sabe quem vai encontrar no acampamento. São pessoas que fugiram, mas fugiram do que? Alguns simplesmente fugiram, mas outros cometeram atos horríveis e dai fugiram. Pode acontecer que ao fugir um inimigo, vc o encontre no acampamento pois ele também fugira. O que lhe garante que ele não vai querer te matar ali agora? É por isso que todo acampamento é cuidadosamente guardado. No nosso caso aqui ha 24/24, 7dias/7 um esquadrão militar, outro policial alem de guardas civis e das equipes de ordem o UNHCR e das outras ONGs que trabalham ali.

No acampamento tudo é organizado. Não se pode cozinhar em qualquer lugar, não se pode tomar banho a qualquer momento. Tudo sem seu horário e local certo. Sem isso, não ha como conviver juntos. Alimentos, itens de higiene, roupas, calçados, remédios são distribuídos dentro do acampamento com um controle meticuloso. A ADRA, por exemplo, costuma fazer distribuições e enviar agentes para dar orientações sobre higiene e combate a AIDS.

Sim, combate a AIDS pois em tempo de conflito muitos procuram consolo no sexo. tente amontoar mais de 4500 pessoas de todas as idades e sexo num único lugar por um longo período para ver o que acontece… por isso é importantíssimo fazermos campanhas de orientação e combate a AIDS.

Largar tudo para um destino desconhecido, sem data para voltar para casa… e quando consegue voltar para casa, é para encontra-la destruída ou saqueada… as vezes com novos habitantes la dentro. Este é o destino de um refugiado.